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Discusión sobre: "El concepto de nación y las transformaciones políticas...", de F. Wasserman

 

iberoideas "El concepto de nación y las transformaciones políticas...", de F. Wasserman   2008-11-08 16:41:25.0
   

Respuestas

nlgoldman Comentario de Sérgio Campos Matos al texto de Fabio Wasserman
2008-11-08 18:38:28.0
   

Sérgio Campos Matos

 

Comentário ao texto de Fabio Wasserman,

 

El concepto de nación y las transformaciones políticas en Iberoamérica (1750-1850)

 

 

 Esta síntese da autoria de Fabio Wasserman mostra clararmente a diversidade de sentidos que a palavra nação adquiriu num tempo atravessado por profundas transformações políticas e sociais nas nações ibéricas e na América Central e do Sul (que então viveu processos muito diversos de independência): um sentido geográfico que o aproxima do termo pátria; um sentido étnico (que remete para o que alguns designam hoje de etnicidade, incluindo língua, religião e costumes) e um sentido que se prende com a dimensão política e jurídica (governo e leis). O que bem revela a complexidade de problemas que envolve este conceito.

 

 

1.      O Autor torna evidente que antes da Revolução Francesa já circulava esta última acepção política  - ainda que não conotada com soberanía popular. E dá vários exemplos disso. Mas será que até 1808 – esse momento de viragem em que se agudizam as reacções nacionais de Portugueses e Espanhóis contra a ocupação francesa - se poderá falar de centralidade do conceito de nação no discurso político?  Que no tempo das revoluções e dos processos de independência tende a tornar-se uma palavra-chave  na construção de novos sentidos de unidade política e novas expectativas políticas, não tenho dúvidas. Que tenha sido um conceito “decisivo” na construção das novas legitimidades políticas e das novas instituições do Estado liberal, em casos como o México e o Perú, parece indiscutível.  Já o que observamos em Portugal até 1808 é um uso bem mais frequente dos nomes Monarquia e Reino, abarcando, não raro também o Brasil (note-se de passagem que a designação de Reino Unido de Portugal e Brasil não se traduz numa “reorganização” da monarquia portuguesa: traduz apenas uma situação ex posto facto, depois da sede do Império se ter transferido para o Rio de Janeiro). Em 1808, no mundo lusófono, o conceito de nação cívica – nação de cidadãos e não já de súbditos – não seria o mais comum. Na Venezuela, a pátria – conceito mais concreto, objecto de lealdade e afecto – surge como a base a partir da qual se torna possível o princípio político “nação”, pouco frequente até cerca de 1830 (Véronique Hébrard). Também em Nova Granada-Colombia, no discurso de independência, mais do que o conceito de nação, o de pátria, mais preciso, terá sido o “termo chave” (Hans Konig). Comprende-se que no contexto dos movimentos independentistas americanos assim fosse: pátria significava liberdade, novo direito e auto-determinação. E em França  a ideia de pátria e de patriotismo foi propulsora do movimento que leva à nação moderna. O ideal romano de patria civitates terá, de resto, contribuido para a emergencia do conceito de nação-cívica (Fernando Catroga, “Pátria, nação, nacionalismo”, Comunidades Imaginadas, Coimbra, 2008)

 

 

            Fabio Wasserman chama a atenção para a relevância da associação entre as palavras nação, povo, território, cidadão, pátria, Liberdade, e, sobretudo,  constituição, soberania e representação  nestes processos (p.3). Inteiramente de acordo. Mas talvez se possa matizar a configuração da “centralidade” do conceito de nação se tivermos em conta o estudo desses outros tópicos, com destaque para essa velha palavra-chave que lhe é anterior: Pátria. Creio, na verdade, que embora tenda a ocupar um lugar central, nem sempre o conceito de nação terá sido um conceito-chave da linguagem política no período que estudamos.

 

 

2. Uma pergunta: que efeitos teve  a radicalização dos combates políticos entre liberais e defensores do Antigo Regime político (que se arrastam bem para além do início da institucionalização do Estados liberais ibéricos em 1834)  sobre a transformação dos conceitos de nação? Creio que a resposta  ajudará a melhor comprender um aspecto que está mais implícito do que explícito nos conceitos de nação  da época que estudamos: que grupos não são incluídos na nação – em termos políticos, religiosos, étnicos, de classe, de género, de direitos cívicos? Nas constituições  espanholas e portuguesas, a nação é uma comunidade exclusivamente católica  (aqueles que professam outras religiões são excluidos). Só tinham direito de voto os cidadãos activos (sufrágio censitário). E nos debates entre absolutistas e liberais, nos decénios de 1820/30, os adversários são muitas vezes considerados homens de facção (por oposição a nação). No México, como mostrou Elisa Cárdenas, na primeira fase da guerra de independência, excluem-se os europeus.  

 

 

3. O facto de estas exclusões nem sempre serem assumidas prende-se com o carácter abstracto e integrador do conceito da nação.  O tópico nação exprime uma nova lealdade política, um novo sujeito objecto de culto que se substitui ao Rei (figura bem mais concreta e visivel). Poder-se-á dizer que o conceito contratualista de nação (nação-vontade revolucionária aberta para o futuro) domina nos espaços americanos desde os movimentos independentistas e até à segunda metade do século XIX? Tudo indica que sim. E nas nações europeias? Para mim não é claro que assim fosse, pois em Portugal e Espanha a legitimação dos Estados liberais recorreu largamente a uma argumentação historicista em que se invocou um constitucionalismo histórico, a função das antigas cortes e concelhos mas também a legitimidade dinástica. Houve um pactismo de Antigo Regime, decerto. Diverso embora do contratualismo liberal.  Como bem observa Fabio, “la historia fuera asociandose cada vez más con el concepto de nación”. Decerto, a nação também é memoria: o conceito romântico de nação, nação-génio, todo orgânico em que há laços naturais mas também uma comunidade de língua e raça, muito voltada para o passado (compreende-se assim a necessidade social do culto dos heróis, que susbstitui, em certa medida, a veneração do monarca).  

 

Sendo assim talvez se possa estabelecer uma diversa relação entre presente e passado nos conceitos de nação usados nas nações ibéricas europeias e os usados na nações americanas (diversidade de campos de experiência e horizontes de expectativa): no primeiro caso enraizando a sua legitimidade no passado medieval e num sentido de continuidade histórica com um novo presente, o da nação de cidadãos que a ela aderem livremente; no segundo, porventura acentuando mais a ruptura com o anterior tempo colonial a exorcizar, projectando-se no futuro mas também reinventando os seus passados.

 

 

                                                                       Sérgio Campos Matos

 

                                                                    (Universidade de Lisboa)

 

 



nlgoldman Comentario de Gerardo Caetano al texto de Fabio Wasserman
2008-11-25 19:10:30.0
   

COMENTARIO AL TEXTO DE FABIO WASSERMAN SOBRE “EL CONCEPTO DE NACION Y LAS TRANSFORMACIONES POLITICAS EN IBEROAMERICA (1750-1850).”

 

 

 

Lo primero a destacar en el texto de Wasserman es la pertinencia y la precisión con la que es ubicado –tanto en clave temática como cronológica- el objeto de estudio. En efecto, se confirma una clara correspondencia entre los usos cambiantes de un concepto especialmente polisémico como el de nación y el proceso de transformaciones políticas radicales acaecido entre 1750 y 1850. Alguien podría tildar de trivial este señalamiento ya que en el marco cronológico elegido tienen lugar nada menos que la disolución de imperios en declinación y la expansión de procesos revolucionarios de múltiples significados. Sin embargo, no es tan sencillo precisar desde el punto de vista de una “Historia conceptual” los itinerarios de cambio e inflexión en el significado de una voz con múltiples usos y la trama efectiva de una transformación política efectivamente honda, cuyas claves van a menudo bastante más allá de los registros más obvios.        Creemos que Wasserman logra con creces este objetivo y ello no es nada menor. Dicho esto, en relación a las dos hipótesis planteadas, pensamos que el tratamiento de la segunda –la progresiva constitución del término nación como un “concepto histórico fundamental”- resulta más convincente que el otorgado a la primera –el vínculo postulado entre las inflexiones del significado del concepto con el de los cambios verificados en las monarquías española y portuguesa. Si bien se prueba con persuasividad la pluralidad cambiante de sentidos presente en los usos del término nación durante el período colonial, cuesta más encontrar en el texto presentado las evidencias y correspondencias de esos cambios. Más allá de lo postulado en contrario, el autor no termina de resolver –tal vez por problemas de espacio- la identificación plena de los vínculos señalados en la hipótesis. De todos modos, en los apartados correspondientes se perfila bien una de las tensiones clave de los cambios ocurridos durante el período considerado en los significados del término nación: su percepción privilegiada como una esencia a descubrir-reconocer y luego a preservar (el “carácter” o el “espíritu” de una población determinada, sus “atributos”  idiosincráticos, etc.), o su identificación como una construcción básicamente política  (constitución de un “cuerpo político” sometido a un mismo gobierno y a leyes comunes, con objetivos compartidos, etc.). Además de esa tensión crucial entre perspectivas más esencialistas o constructivistas (confirmadas a partir del sentido efectivo con que los actores de la época argumentaban el uso del concepto), resultan muy pertinentes también las consideraciones que el autor hace respecto a que el empleo del concepto de nación “no siempre expresaba una relación de alteridad para quien la enunciaba” (señalamiento cargado de implicaciones analíticas sobre las que habría que profundizar la indagación), así como las características del llamado “patriotismo criollo” en la época.

Por su parte, y como ya se ha adelantado, resulta muy convincente y persuasiva la parte del texto focalizada en analizar e interpretar el “acelerado proceso de resignificación conceptual de nación que, en el marco de las revoluciones liberales y de independencia que afectaron a ambas Monarquías, pasó a cobrar una importancia decisiva en el lenguaje político al expresar la posibilidad de erigir nuevas unidades políticas”.  En efecto, en este punto se confirma de manera muy clara cómo la voz  nación se convierte en un “concepto histórico fundamental”, redefiniendo la carga política del lenguaje a partir de su asociación privilegiada con otras voces como pueblo, libertad, ciudadanía, pero sobre todo soberanía, constitución o representación. La emergencia disruptiva de las ideas de pacto o de la posibilidad de crear unidades políticas nuevas, desde concepciones diferentes en torno a la naturaleza de la asociación cívica (de sesgo más individualista o con mayor consideración a las dimensiones colectivas, en coexistencias no secuenciales ni alternativas), configuran así el “telón de fondo” del surgimiento de concepciones diferentes del concepto de nación en cuanto a sus límites y alcances, proceso muy visible luego de 1808 y que se refleja de manera visible en las Constituciones elaboradas desde ese momento de inflexión histórica. Son también muy interesantes y plenos de posibilidades analíticas los discernimientos identificados respecto a la forma diversa en que se dan estos procesos en las metrópolis de España y Portugal y en los territorios iberoamericanos, con sus coincidencias y diferencias.

En el apartado orientado a estudiar el proceso titulado “de colonias a nación”, Wasserman identifica con precisión la clave de los “deslizamientos conceptuales” producidos en tiempo de vértigo y de irreversibilidad acentuados (tanto por la revolución como por el desplome de los fundamentos últimos de los pactos coloniales), en la perspectiva, muy presente en el lenguaje político de la época, de construir naciones soberanas e independientes: “la crisis provocada por la acefalía dio lugar a un proceso en el cual se introdujo una cesura significativa al comenzar a considerarse que la nación entendida como cuerpo político soberano podía ser América, alguno de sus virreinatos, reinos, provincias, pueblos o la asociación de algunas de estas comunidades”. Es en ese marco que un buen enfoque de Historia conceptual puede resultar esclarecedor acerca de los alcances y límites de la ruptura revolucionaria luego de 1808, sin el costo de simplificar la radical polivalencia y complejidad de un magma de significaciones políticas que define el territorio de los usos políticos en el lenguaje por los actores de la época. De ese modo se enriquece la perspectiva analítica acerca de temas como el del por qué de la fragmentación iberoamericana, de las tensiones persistentes entre las nociones de nación y etnia, de la fuerte correspondencia entre la utilidad política del recurso del concepto nación y su polisemia intrínseca, de la proyección especialmente fermental del llamado “momento constitucional”.

 

Otra historia también apasionante, que se insinúa hacia el final del texto, tiene que ver con lo que ocurriría con todo ese territorio de significados conexos a la voz nación en tanto “concepto histórico fundamental” durante la segunda mitad del siglo XIX, cuando desde la impronta romántica entonces imperante se buscara otorgar legitimidad nacionalista a los Estados nacionales en proceso de consolidación. Pero esa es otra historia.

 

 

                                                                                                            Gerardo Caetano       

 



nlgoldman Comentario de João Paulo G. Pimenta al texto de Fabio Wasserman
2008-12-31 15:23:29.0
   

Comentário a “El concepto de nación y las transformaciones políticas en Iberoamérica (1750-1850)”, de Fabio Wasserman

 

 

João Paulo G. Pimenta

Universidade de São Paulo

 

            O texto de Fabio Wasserman apresenta não apenas uma síntese muito bem-feita dos vários verbetes nação produzidos no âmbito do projeto Iberconceptos, mas também um esforço interpretativo consistente e inovador. É importante destacar que, até o momento, a imensa maioria da bibliografia de cunho teórico voltada à questão nacional vem sendo produzida com escassa ou nenhuma consideração acerca da realidade iberoamericana – a mais estritamente espanhola sendo uma notória exceção – mesmo que os processos de rupturas imperiais e de formação dos estados nacionais americanos ofereça um formidável laboratório de análise. Nesse plano teórico, alguns importantes esforços vêm sendo realizados em perspectivas muito variadas, porém ainda com diminuto impacto em uma literatura permeada por determinações alheias ou distantes das iberoamericanas. Tendo em vista esse estado de coisas, o texto de Wasserman é importante por si só, pois oferece uma contribuição para a alteração desse quadro.

            Em linhas gerais, e com base também em minhas próprias investigações acerca do tema nos mundos luso-americano e hispano-platense, estou inteiramente de acordo com as duas hipóteses norteadoras do texto de Wasserman, a saber: 1) “las inflexiones del concepto y su evolución se vinculan con los cambios que fueron modificando la fisonomía política de las monarquías española y portuguesa” entre c.1750-c.1850; 2) “durante esa centuria, y en particular a partir de la crisis abierta en 1808, nación se fue constituyendo en un ‘concepto histórico fundamental’” segundo os termos de Koselleck. Na realidade, concebo que tais “hipóteses” já podem ser tomadas não apenas como idéias-guia para uma investigação, mas como linhas-mestras de interpretação da história do conceito nação no tempo-espaço determinado. Também estou inteiramente de acordo com os apanhados gerais conclusivos realizados pelo texto, dentre os quais talvez o mais importante seja aquele que aponta para as perspectivas ulteriores do desenvolvimento histórico do conceito após c.1850, isto é, o fato de que “la historia fuera asociándose cada vez más con el concepto de nación, creando así condiciones favorables para que ésta fuera asumiendo un carácter esencial y trascendente.”

            Gostaria de fazer duas observações mais específicas ao texto. A primeira diz respeito a uma afirmação autoral de Wasserman, e a segunda a uma questão geral relativa ao problema do estudo do conceito em uma perspectiva totalizadora, não se constituindo, portanto, em cobrança ao texto-síntese ou aos que lhe serviram de base, somente apontando para a necessidade de aprofundamentos de investigação para além dos recortes propostos.

            Em primeiro lugar, embora concorde com Wasserman que “la concepción que tendía a fundir el sentido étnico y político recién terminaría de cuajar años más tarde al consolidarse los Estados nacionales que buscaron legitimarse en el principio de las nacionalidades y, por tanto, propiciaron una reinterpretación del pasado a través de la creación y difusión de historias nacionales capaces de postular la existencia desde hacía siglos de nacionalidades correspondientes a esos Estados”, creio necessário destacar que esse tipo de reinterpretação do passado começa a surgir, em muitas partes do mundo iberoamericano, já antes da consolidação dos Estados nacionais. Não que durante os processos de independência haja formulações doutrinárias estáveis e duradouras nessa direção, mas certamente um dos fatores de dinamização de tais processos reside em um jogo de releituras – se quisermos, de invenções – do passado que, buscando persuadir integrantes do jogo político de que projetos e ações específicos possuíam um apelo e uma legitimação por sua suposta longevidade, pretenderam a existência, no bojo das colonizações ibéricas, de uma fusão entre sentidos étnicos (mal-esboçados, claro) e políticos em direção à “libertação” do julgo metropolitano. Se não foram tais releituras do passado aquelas que posteriormente vingaram como projetos de historiografias nacionais, é certo que muitas delas disponibilizaram a estas modelos formais e conteúdos doutrinários.

            Em segundo lugar, e a despeito desta crítica, parece-me que a investigação proposta, tendo por base a centúria c.1750-c.1850, tende a se mostrar mais bem-sucedida no delineamento do jogo conceitual de nação após esse período do que antes dele. Os anos anteriores à metade do XVIII se tornam um amplo período nebuloso, no qual as origens de certas feições conceituais perceptíveis no século XVIII praticamente desaparecem. A importância de um mapeamento desses desenvolvimentos anteriores – isto é, das três definições básicas de nação que o conceito comporta em meados do século – reside, sobretudo, na possibilidade de se conceber a centúria e os espaços analisados como dotados de desenvolvimentos assimétricos e desiguais, o que evidentemente é fundamental não só para a compreensão dos significados mais amplos da história desse conceito, como também para que a idéia de uma unidade histórica do mundo iberoamericano entre c.1750 e c.1850 funcione . Se regiões, tradições culturais e grupos sociais e políticos, em momentos distintos e por motivos próprios, formularam conteúdos conceituais de nação, bem como sofreram impactos por conta dos mesmos, isso não deve ser jamais ignorado; inclusive por que, até o momento, a investigação coletiva – e sua síntese textual – oferecem excelentes pontos de partida para o cumprimento de tal agenda.



nlgoldman Respuesta de Fabio Wasserman
2009-01-06 15:21:44.0
   

Respuesta a los comentarios de Sérgio Campos Matos, Gerardo Caetano y João Paulo G. Pimenta

 

 

Fabio Wasserman

 

 

Quiero comenzar agradeciendo a Noemí Goldman y Guillermo Zermeño quienes en su rol de coordinadores del Foro hacen posible este diálogo. Asimismo quiero agradecer a los comentaristas por sus observaciones críticas que se destacan tanto por ser fruto de una lectura atenta del texto como por el esfuerzo que hicieron para promover una reflexión amplia que no estuviera ceñida a la discusión de casos particulares. Procurando estar a tono con estas intervenciones, mi respuesta, que será breve, tampoco se va a detener en el examen de casos.

 

Como señala con total justicia Sérgio Campos Matos, la hipótesis sobre la centralidad del concepto de nación a partir de 1808 merece ser matizada tanto en términos espaciales como temporales. Lamentablemente es algo que por falta de espacio no pude plasmar en el texto que, en verdad, es una síntesis de una síntesis previa[1]. De todos modos no es ésta la única razón, y ni siquiera la más importante, pues a pesar de sus observaciones sigo considerando que nación se fue constituyendo en un concepto histórico fundamental. Ahora bien, esto implica al menos dos precisiones. La primera es que se trató de un proceso y no de una irrupción súbita como a veces parecen sugerir algunas obras (pienso por ejemplo en Modernidad e Independencias de Francois Xavier Guerra). La segunda precisión es que con concepto histórico fundamental Koselleck se refiere a uno que en combinación con docenas de otros dirige e informa por entero el contenido político y social de una lengua (por mi parte dejaría de lado la expresión “por entero”). No se trata por lo tanto de un único concepto que predomina sobre los otros o a los que les imprime un sentido unívoco. Esto plantea un problema metodológico pues estamos tratando conceptos por separado y lo ideal sería que pudiéramos hacerlo con familias o redes de conceptos. Es por ello que la observación que hace Sérgio en relación a la mayor utilización del concepto de patria por su carga afectiva no invalida la centralidad que fue adquiriendo nación, sobre todo a la hora de plantearse la erección de unidades políticas apelando a nuevos principios de legitimidad. Problema para el cual el concepto de patria era claramente insuficiente. En ese sentido se me ocurre un ejercicio contrafáctico que bien podría extenderse a otros conceptos: ¿podríamos pensar el discurso político de la primera mitad del siglo XIX iberoamericano sin el concepto de nación?

 

La segunda observación crítica de Sérgio, que me parece muy acertada, también fue planteada por los colegas que redactaron las voces de cada país en los breves encuentros que tuvimos en Madrid en el año 2007: tener presente que el concepto de nación implica la exclusión de diversos grupos sociales. Se trata de una cuestión que sólo mencioné al pasar en el texto y que en la versión más larga está desarrollada aunque no con la profundidad que sin duda merece. En esto se advierte de nuevo la necesidad de trabajar con familias de conceptos considerando por ejemplo los análisis de ciudadano/ciudadanía, América/americanos o pueblo/pueblos, pero también de otros que aún no fueron considerados en el marco de Iberconceptos como religión, catolicismo, indios, siervos, castas e, incluso, familia.

 

Asimismo me parece atinada su observación sobre la importancia de la concepción étnica de nación en España y Portugal y el papel asignado al pasado nacional. Es probable que la discrepancia con mi texto se deba a que cuando redacté los últimos párrafos tenía en mente más a América que a Europa (aunque aún en ese caso tampoco sería correcto restarle todo papel a la dimensión étnica de nación, como bien señala João Paulo G. Pimenta cuando advierte sobre la existencia de relatos históricos nacionalistas previos a la consolidación de los Estados nacionales). Pero sobre todo se debe al hecho que mi intención era mostrar que la difusión del romanticismo no se tradujo inmediata ni necesariamente en un concepto de nación basado en el principio de las nacionalidades. Si el análisis se extendiera hasta el siglo XX podría mostrarse en forma más clara el cambio conceptual. Hasta entonces, si bien podía argüirse que el concepto étnico de nación habría cobrado nueva forma y mayor impulso, no era condición suficiente para legitimar el poder político. Recién con la consolidación de los Estados nacionales a partir de la segunda mitad del siglo XIX se va a terminar de producir una más plena identificación entre nación e historia nacional y, así, una continuidad entre pasado, presente y futuro. Pero como señala Gerardo Caetano, esto ya sería parte de otra historia. O quizás de la misma, pero que escapa a los límites temporales del proyecto. En ese sentido cabría plantearse la posibilidad de flexibilizar en algunos casos las periodizaciones que utilizamos.

 

Gerardo Caetano advierte que es escasa la prueba argumental que ofrezco en relación a mi hipótesis sobre la vinculación entre la evolución del concepto de nación y los cambios en la fisonomía política de los dominios europeos y americanos de las monarquías española y portuguesa. Si esto es así, sólo puedo decir que se trata de una evidente debilidad del texto pues mi intención era que esta cuestión tuviera una gran presencia en el análisis. En ese sentido quise destacar cómo algunas de estas mutaciones (las reformas ilustradas, las crisis de las coronas, el constitucionalismo, las guerras o el paso de colonias a naciones) afectaron el sentido del concepto a la vez que dieron lugar a diversos usos del mismo.

 

João Paulo G. Pimenta señala que el período previo a 1750 resulta en cierta medida nebuloso y que solemos pasar muy rápidamente por él. Si bien coincido con esta apreciación, no estoy tan seguro que para nuestra indagación sea necesario tener un conocimiento mucho más acabado (desde luego que para otras indagaciones resulta imprescindible). Sí comparto la importancia que asigna a la necesidad de atender las particularidades locales y los diversos ritmos en la evolución del concepto. En ese sentido creo que deben examinarse a la vez los diversos usos y significados para lo cual resulta imprescindible un abordaje conceptual capaz de considerar los aspectos lexicológicos, semánticos y retóricos, puesto que, por ejemplo, una misma definición de nación podía soportar distintos referentes empíricos así como también podía implicar muy diversas valoraciones de los mismos.

 

Una última observación de carácter general: si mi lectura es correcta, podría plantearse que buena parte de las diferencias se explican no tanto por la existencia entre nosotros de divergencias teóricas o metodológicas, sino más bien por el lugar desde el cual examinamos la evolución conceptual de nación. Y con esto me refiero no sólo a nuestra diversa procedencia, sino más bien al momento histórico o a los problemas en los que se centran nuestros intereses lo cual implica que hagamos mayor énfasis en algunas cuestiones en detrimento de otras.

 



[1] En ese sentido me remito a una versión más extensa que acaba de ser publicada en Jahrbuch für Geschichte Lateinamerikas 45/2008.




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